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Psicanálise
Clínica e Terapia Analítica Breve
O trabalho terapêutico e clínico da psicanálise
- por Roberto Dantas
Pra que serve a análise pessoal ou psicanálise?
A pratica da análise pessoal, surge da
necessidade do ser humano em ser ajudado em seus
aspectos emocionais, anímicos e intelectuais em
conflito. Os conflitos são desestruturações do
aparelho psíquico que se manifestam como sintomas
: fobias, medos, desinteresse, falta de ânimo, a
partir de neuroses: repetição de atos, que
percebemos em nós ( ou que não percebemos ) mas
que nos aprisionam por exemplo em relacionamentos
destrutivos, empregos inadequados, atitudes
auto-sabotantes, incapacidade para sentir-se
espontâneo”
Mas
não me sinto doente, somente sinto que não me
relaciono bem com a vida e comigo mesmo, a análise
é indicada no meu caso?
A psicanálise clínica não é um processo
somente para quem é diagnosticado com alguma doença
mental. Ela é um processo de autoconhecimento que
leva a compreendermos melhor a si mesmo, e assim,
amadurecermos emocionalmente e vivermos melhor.
Como
se dá a análise, e como ela funciona? Na
relação entre analista (psicanalista) e
analisado (paciente) forma-se uma relação
subjetiva de onde pode-se interpretar o
inconsciente do analisado, e assim fornecer
compreensão e integração do Self do paciente (
Eu como um todo).
No modelo médico, busca-se a eliminação
de sintomas, já na psicanálise, a eliminação
do sintoma é consequência da modificação na
estrutura psíquica que deu origem ao sintoma. Ou
em outras palavras, uma modificação na dinâmica
psíquica na qual o paciente se envolveu, e que o
faz sentir-se e viver infeliz consigo mesmo e com
os outros ( no sintoma).
O
que é o processo psicanalítico? O trabalho
psicanalítico clínico é um método profundo de
trabalho que visa compreender o “sentido” do
nosso inconsciente, nossas motivações mais
profundas, inconscientes, e assim chegar à
compreensão (paciente junto com terapeuta) do
sintoma no analisado. Na integração entre
consciente e inconsciente, ( ou o lado objetivo e
subjetivo) adquire-se o alivio dos sintomas.
Todos nós temos uma história de vida, o
palco da nossa constituição enquanto sujeitos
que somos hoje. Neste palco, tivemos nossos
coadjuvantes, a família, o ambiente proporcionado
por estas relações com as quais convivemos e
aprendemos a ser e estar no mundo,
entre eles: pais, irmãos, professores,
familiares, amigos,enfim...
O meio social é importante na análise,
como também o é a cultura na qual estamos
inseridos, e a história a qual construímos desde
quando nascemos (e inclusive antes disso).
Como
são as sessões : No trabalho clínico
contemporâneo, as sessões tem duração de 50
minutos, e a periodicidade vai depender de cada
paciente, de cada caso.
Também o trabalho clinico hoje, não segue
rigidamente os estereótipos encenados em
Hollywood, através do qual, do analista que
ficaria fora do campo de visão do paciente, que
deita-se num divã e que fica falando quase sem
ter uma interação. Hoje, a sessão é construída
junto com o paciente, de acordo com as
necessidades, podendo inclusive seguir este padrão
clássico. De um modo geral, a sessão segue, de
um lado,as expectativas do analisado (paciente), e
de outro, as linhas de trabalho do analista
(terapeuta), além dos objetivos e fase do
trabalho. Aspectos como religião, fatores
culturais e sociais são respeitados
individualmente. O
trabalho com cada paciente é único, pois
é justamente um trabalho profundo e focado NO
paciente. A análise utiliza-se também de sonhos,
além da dinâmica na transferência com o
analista (relacionamento com o terapeuta),
interpretado na sessão.
Sobre
a duração do tratamento: A duração do
trabalho também é um ponto importante.
Na análise, diferente de técnicas de
aconselhamento, leva o paciente a tomar suas próprias
decisões, a estar mais consciente de suas
escolhas, e a agir com maior liberdade,
espontaneidade e responsabilidade consigo mesmo.
Mas cada vez, nossa cultura nos leva a
sentimos necessidade de resultados cada vez mais rápidos.
No caso do mundo subjetivo, interno, o tempo é
relativo. Mas de qualquer forma, para se conseguir
resultados mais profundos e sustentados, é
preciso tempo, e por isso, o trabalho analítico
é um compromisso de longa duração.
Preciso
de resultados rápidos, a análise pode me ajudar?
Mudar interna e profundamente, com resultados
mais efetivos, como se propõe a psicanálise,
demanda tempo e muito trabalho, de ambas as
partes: terapeuta e paciente. É preciso ter em
mente que um compromisso com sua análise, é um
“contrato” consigo mesmo, com seu
amadurecimento emocional e psíquico, e que isso não
tem tempo ou momento pra se começar, e pela
pespectiva que se oferece, deveria ser o quanto
antes.
Também, deve-se ter em mente que não se
pode mudar tão rápido uma coisa que
“criamos” e sobre a qual vivemos sustentando
desde nossa infância.
Por isso, a duração de um tratamento em
psicanálise é indeterminado, varia de pessoa pra
pessoa, depende do andamento do processo e das
necessidades de cada um, até onde se queira ir,
ou o que se queira alcançar.
Sobre
os valores e custo da análise: Um aspecto
muito importante em qualquer trabalho na área
terapêutica é o custo do tratamento. O dinheiro
é um elemento”tabu”, pois traz um simbolismo
que reflete, por projeção, nossos aspectos
emocionais, e demandas infantis de relacionamento.
Quanto vale um tratamento analítico?
Quanto vale auto-conhecer-se, sentir-se aliviado
de algum sintoma, ou viver-se mais
espontaneamente? Qual o valor de conhecer-se mais
profundamente, sentir-se mais apto e firme diante
dos obstáculos que a vida lhe impõe?
Como
posso saber se poderei pagar minha análise? Em
todos os aspectos de nossa vida, os investimentos
que fazemos são proporcionais ao ganho que
pretendemos. E na terapia não e diferente. O
valor a ser pago na análise é um aspecto
importante tanto para o analista quanto para o
paciente. O analista deve cobrar um valor que
simbolize não só o valor de seu trabalho, de sua
formação, de seu tempo de trabalho, mas também
o custo do consultório, materiais, tempo fora das
consultas em que ele estuda o caso e escreve relatórios,
supervisão de casos, etc.
O paciente, deve ter em mente, no dinheiro
a ser pago, um investimento pessoal em si mesmo.
Além disso, seu compromisso consigo mesmo, como
um investimento em sua evolução pessoal, somado
á sua dedicação, seriedade, perseverança e
sobretudo coragem em iniciar a análise. A importância
que dá a si mesmo no tratamento analítico, é
refletida no dinheiro e em como se lida com o
valor do investimento na terapia. O retorno é
proporcional, como já disse acima, ao
investimento: no autoconhecimento, no
desenvolvimento de recursos internos para lidar
com as situações da vida, com maior clareza e
consciência de si, na aquisição de
espontaneidade, coisas que não se pagam por
dinheiro algum, e que vão acompanha-lo em toda a
sua vida.
Vale
a pena investir na minha análise? Mensurar o
custo ou a valorização de um trabalho analítico
é muito complexo. Na primeira sessão, analista e
paciente assumem um “contrato”, ou seja, as
regras sobre as quais se seguirá o compromisso da
dupla analista-paciente, no trabalho psicanalítico
deste último.
Definir o valor a ser cobrado ou investido,
envolve aspectos encobertos de culpa, vergonha,
entre outros. Mensurar o valor de algo, e
principalmente do trabalho analítico, envolve
simbolicamente a mostrar o valor que se dá a si
mesmo, ou o compromisso que se pretende assumir em
favor de si, de querer ou não a análise, da sua
resistência em não mudar.
O
valor é sempre determinado pela dupla
psicanalista e psicanalisado, (em conjunto) tendo
como base um equilíbrio entre as possibilidades
tanto do paciente como do analista em manter o
tratamento pelo período que for necessário.
O
compromisso e a motivação entre a dupla :
analista/analisado (ou terapeuta/paciente) é
ponto fundamental para o sucesso do processo analítico.
Roberto Dantas
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